A pecuária é um dos pilares fundamentais da economia brasileira, desempenhando um papel crucial na segurança alimentar, na geração de empregos e na preservação de espécies.
Envolvendo a criação profissional de animais como bovinos, suínos, aves, equinos, peixes, ovinos, caprinos, bubalinos, asininos, abelhas, minhocas, camarões e coelhos, o setor é responsável por movimentar bilhões de reais e sustentar milhões de famílias.
Este artigo explora a relevância econômica, social, ambiental e cultural da pecuária, destacando curiosidades, avanços tecnológicos, competições e o trabalho de associações de criadores.
O que seria do Brasil sem a pecuária?

Impacto Econômico: PIB e Geração de Empregos
Em 2024, a pecuária contribuiu com cerca de 8,3% do PIB brasileiro, equivalente a R$ 830 bilhões, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA).
A bovinocultura lidera, com um rebanho de 224 milhões de cabeças, mas outras criações, como a avicultura (1,4 bilhão de galináceos) e a suinocultura (41 milhões de cabeças), também são expressivas.
A pecuária gera aproximadamente 1,6 milhões de empregos diretos e mais de 10 milhões de indiretos, abrangendo desde vaqueiros até profissionais especializados, como veterinários, zootecnistas e nutrólogos.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina (2,5 milhões de toneladas em 2024) e de frango (5,1 milhões de toneladas), além de ser o quarto maior produtor de carne suína. Esses números posicionam o país como um dos principais fornecedores de proteína animal para mercados como China, Estados Unidos e Filipinas.
Curiosidade: o Brasil exporta mais de 70% do suco de laranja mundial, mas a carne bovina ocupa a quinta posição entre as mercadorias exportadas, reforçando a relevância do setor na balança comercial.
Diversidade de Espécies e Raças
A pecuária brasileira é marcada pela diversidade de espécies e raças, cada uma com características únicas. A bovinocultura inclui cerca de 30 raças, com destaque para Nelore e Angus na pecuária de corte e Gir e Holandês na leiteira.
A equinocultura abrange 15 raças principais, como Mangalarga Marchador e Quarto de Milha.
A avicultura trabalha com mais de 20 raças, incluindo Rhode Island Red e Leghorn, enquanto a suinocultura tem cerca de 10 raças, como Duroc e Landrace.
A ovinocultura e a caprinocultura contam com 15 e 10 raças, respectivamente, destacando-se Dorper e Boer.
A bubalinocultura, com 5 raças como Murrah, é forte no Norte e Nordeste. A cunicultura (coelhos) inclui 12 raças, como Nova Zelândia, e a piscicultura trabalha com 10 espécies principais, como tilápia e tambaqui.
A apicultura, com abelhas do gênero Apis, e a vermicultura (minhocas) não se dividem em raças específicas, mas têm grande relevância econômica.

Preservação de Espécies e Melhoramento Genético
A pecuária desempenha um papel vital na preservação de espécies e no melhoramento genético.
Técnicas como inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e fertilização in vitro aumentaram a produtividade em até 20% em rebanhos bovinos, enquanto a seleção genética elevou o peso ao desmame.
A Embrapa, por exemplo, clonou a primeira vaca Gir leiteira no Distrito Federal, um marco no melhoramento genético.
Raças nativas, como o cavalo Mangalarga Marchador, são preservadas por associações como a ABCCMM, garantindo a continuidade de linhagens adaptadas ao clima tropical.
Na apicultura, a proteção de abelhas nativas, como a jataí, contribui para a polinização de cultivos, beneficiando a agricultura.
Avanços Tecnológicos e Feiras de Negócios
A modernização da pecuária brasileira é impulsionada por tecnologias como a pecuária de precisão, que utiliza sensores, drones e softwares para monitoramento de rebanhos. A Embrapa desenvolveu o aplicativo “Roda da Reprodução 2.0” para gerenciar rebanhos leiteiros, enquanto cultivares de forrageiras tropicais, como as da Embrapa, dominam 80% do mercado nacional. A suplementação nutricional, com minerais e proteínas, elevou a qualidade da carne e do leite, reduzindo o tempo de engorda em 30%.
Feiras como a Expointer, em Esteio (RS), e a Fenagro, em Salvador (BA), são vitrines dessas inovações, movimentando bilhões em negócios. Em 2024, a Expointer gerou R$ 2,8 bilhões, exibindo máquinas, biotecnologias e animais de elite. Essas feiras conectam criadores, indústrias e pesquisadores, promovendo a troca de conhecimento e a comercialização de produtos.

Competições e Valorização do Animal
As competições de raças e eventos culturais celebram a pecuária e valorizam criadores e animais. Rodeios, como o de Barretos (SP), destacam a habilidade de vaqueiros e a força de bovinos e equinos.
A Copa de Marcha, organizada pela ABCCMM, avalia a qualidade do andamento do cavalo Mangalarga Marchador, enquanto a Prova dos Três Tambores testa a agilidade de cavalos Quarto de Milha. O Cavalo do Futuro, voltado para jovens equinos, premia animais promissores.
Na avicultura, provas de beleza destacam galinhas ornamentais, como a Brahma. A agility para cães, inspira eventos similares para caprinos e ovinos, promovendo o bem-estar animal. Essas competições fortalecem o orgulho dos criadores e incentivam o melhoramento genético.
Movimentação de Mercadorias e Serviços
A pecuária movimenta uma vasta cadeia logística. Produtos como carne, leite, ovos, mel, couro e lã são transportados para portos, como Santos (SP), e centros de distribuição, como a CEASA. Insumos como rações, fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas fluem para as fazendas, enquanto serviços de treinadores, veterinários, zootecnistas e nutrólogos garantem a saúde e a produtividade dos rebanhos.
Em 2024, o setor de insumos pecuários movimentou R$ 50 bilhões, com destaque para rações e medicamentos veterinários.

Segurança Alimentar e Produtos Derivados
A pecuária é essencial para a segurança alimentar, fornecendo proteínas acessíveis como carne bovina, suína, de frango, peixes e ovos, além de laticínios (queijo, iogurte, manteiga) e mel.
A piscicultura, com a criação de tilápias e tambaquis, atende à crescente demanda por pescado, enquanto a apicultura garante mel e própolis, usados em alimentos e medicamentos.
Produtos não alimentícios incluem couro (calçados, móveis), lã (têxtil) e medicamentos derivados, como insulina (de origem suína) e imunoterápicos para pitiose equina.
Curiosidade: o esterco seco de bovinos é usado como combustível em algumas regiões, enquanto minhocas produzem húmus para agricultura orgânica.
Associações de Criadores: A Voz do Setor
Associações de criadores são fundamentais para o fortalecimento da pecuária.
A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) promove a raça, organiza competições e mantém um banco genético, com mais de 600 mil animais registrados.
A Associação Científica Brasileira de Cunicultura (ACBC) fomenta a criação de coelhos, incentivando pesquisas e boas práticas.
A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO) apoia a ovinocultura, promovendo raças como Dorper e eventos de melhoramento genético.
A Associação Brasileira de Criadores de Búfalo (ABCB) impulsiona a bubalinocultura, com foco em leite e carne, especialmente na Amazônia.
Essas entidades articulam políticas públicas, como o Plano Safra, e defendem a sustentabilidade e o bem-estar animal.

Curiosidades do Setor
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Avestruzes no Sul: A criação de avestruzes, embora de nicho, está em expansão no Rio Grande do Sul, com cerca de 5 mil cabeças em 2024. A carne, magra e rica em proteína, é valorizada no mercado gourmet, enquanto as plumas são usadas em artigos de luxo, como acessórios de moda, e a pele em calçados de alta qualidade.
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Apicultura Nordestina: O Brasil produz cerca de 45 mil toneladas de mel por ano, com o Nordeste, especialmente o Piauí e o Ceará, respondendo por 60% da produção. A abelha jataí, nativa e sem ferrão, é destaque por sua polinização eficiente em pomares de caju e manga.
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Minhocultura Sustentável: A criação de minhocas, como a Eisenia fetida, gera húmus que aumenta a fertilidade do solo em até 30%, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos. Em 2024, o setor movimentou R$ 100 milhões, com São Paulo liderando a produção.
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Bovinocultura Recordista: O Brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo, com 224 milhões de cabeças, sendo 80% da raça Nelore, adaptada ao clima tropical devido à sua resistência ao calor e a parasitas.
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Piscicultura em Ascensão: A criação de tilápias representa 60% da produção aquícola brasileira, com 540 mil toneladas em 2024. O Amazonas lidera o cultivo de tambaqui, um peixe nativo valorizado por sua carne saborosa.
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Suinocultura Exportadora: Santa Catarina é responsável por 50% das exportações brasileiras de carne suína, atendendo mercados exigentes como Japão e Coreia do Sul, que valorizam a sanidade e a qualidade do produto.
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Bubalinocultura na Amazônia: O Brasil tem o maior rebanho de búfalos da América Latina, com 1,4 milhão de cabeças, concentradas no Pará e no Amapá. O leite de búfala, usado na muçarela, tem 7% mais gordura que o leite bovino.
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Ovinocultura Gaúcha: O Rio Grande do Sul é o maior polo de ovinocultura, com 4 milhões de ovelhas, sendo a raça Dorper a mais criada por sua carne de alta qualidade, exportada para o Oriente Médio.
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Caprinocultura Nordestina: A criação de caprinos no Nordeste, com 9 milhões de cabeças, é liderada pela raça Boer, que tem alta produtividade de carne. O leite de cabra é usado em cosméticos, como sabonetes artesanais.
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Equinocultura Cultural: O cavalo Mangalarga Marchador, com mais de 600 mil animais registrados, é a raça mais numerosa do Brasil, celebrada em eventos como a Nacional do Mangalarga Marchador, que atrai 100 mil visitantes anualmente.
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Cunicultura em Crescimento: A criação de coelhos, com raças como Nova Zelândia, cresceu 15% em 2024, com São Paulo e Minas Gerais liderando. A carne, rica em proteína e baixa em gordura, é popular em dietas saudáveis.
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Camarões de Água Doce: A carcinicultura de água doce, com destaque para o camarão-da-amazônia, gerou 20 mil toneladas em 2024, com o Maranhão como principal polo, atendendo restaurantes de alto padrão.
Desafios e Futuro da Pecuária
Apesar dos avanços, a pecuária enfrenta desafios como o impacto ambiental e a necessidade de práticas sustentáveis. Sistemas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) reduzem emissões de metano e preservam solos, enquanto o bem-estar animal ganha destaque com regulamentações da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE).
O futuro da pecuária brasileira depende de investimentos em tecnologia, capacitação de produtores e infraestrutura logística.
O que seria do Brasil se não houvesse a pecuária?
Sem ela, o país enfrentaria escassez de alimentos, desemprego em massa, redução drástica nas exportações e perda de biodiversidade genética. A pecuária não é apenas uma atividade econômica; é a base da segurança alimentar, da cultura rural e do desenvolvimento sustentável.
Para mais informações, visite o site da CNA, conheça as inovações na Expointer ou deixe suas dúvidas nos comentários.

Gilberto Vieira de Sousa é Jornalista (MTB 0079103/SP), Técnico em Sistemas de TV Digital, Fotografo Amador, Radioamador, idealizador e administrador dos sites GibaNet.com e cotajuridica.com.br, Redator no Programa Lira em Pauta, Editor da Revista Konect Brazil e do site Assessoria Animal

