Durante a queima de fogos os responsáveis devem observar sinais de alerta
Por Dr. Leonardo Gavioli Garbois – Médico Veterinário (CRMV-MG 13122)
O uso de fogos de artifício ainda é uma prática comum nas celebrações brasileiras. No entanto, o impacto desse tipo de estímulo sonoro sobre os animais domésticos — especialmente cães, gatos — e também sobre cavalos, é profundo e frequentemente subestimado. Todos esses animais possuem um limiar auditivo muito sensível, sendo capazes de ouvir frequências e intensidades que passam despercebidas aos humanos. Por isso, os estampidos e vibrações provocados pelos fogos podem desencadear reações intensas de estresse, pânico e comportamento de fuga.

Em cães e gatos, o barulho acima de 120 dB — nível considerado doloroso até para nós — provoca reações imediatas, incluindo ansiedade aguda, tremores, salivação, taquicardia, vocalização excessiva, tentativa de fuga e, em alguns casos, crises convulsivas ou parada cardiorrespiratória. Muitos animais se machucam ao tentar se esconder ou escapar por janelas e portões. A cada fim de ano, milhares de cães se perdem por causa do pânico causado pelos fogos.
Nos equinos, os riscos são ainda maiores. Por serem presas na natureza, cavalos têm resposta de luta ou fuga extremamente acentuada, e os estampidos podem desencadear corridas descontroladas, quedas, fraturas, arrebentamento de cercas e baias, colisões com paredes ou porteiras, além de abortos em éguas prenhes. O estresse intenso também pode desencadear miosite por esforço e rabdomiólise, condições de alta gravidade.
Diante desse cenário, a prevenção é sempre o caminho mais seguro. Para cães e gatos, é recomendável preparar um ambiente protegido e silencioso, como um quarto fechado com luz baixa e som ambiente suave, além de janelas e portas bem vedadas. Animais acostumados à caixa de transporte podem usá-la como refúgio seguro. Em casos selecionados, o veterinário pode prescrever medicação preventiva — nunca se deve automedicar, pois algumas substâncias podem aumentar o pânico ou causar efeitos adversos graves. O treinamento de dessensibilização, realizado com antecedência, também ajuda muito a reduzir o impacto do barulho.
No caso dos equinos, o manejo deve ser ainda mais criterioso. O ideal é alojá-los em baias reforçadas, com piso antiderrapante, portas seguras e ausência de objetos que possam causar ferimentos. Cavalos não devem permanecer sozinhos: a presença de tratadores experientes diminui o risco de acidentes. Protetores auriculares, como espumas ou “ear bonnets”, podem ajudar a atenuar o impacto sonoro. Em situações de maior sensibilidade, o veterinário pode indicar protocolos de suporte com fitoterápicos calmantes, relaxantes musculares ou ansiolíticos específicos; em casos extremos, a sedação controlada é uma medida de segurança.

Durante os fogos, tutores e responsáveis devem observar sinais de alerta: salivação excessiva, respiração ofegante, imobilidade, fuga, vocalização, sudorese intensa (em equinos) e tentativas de romper baias ou portões. Esses comportamentos indicam pânico e requerem intervenção imediata.
Alguns cuidados são fundamentais: jamais prender cães com coleiras durante explosões (há risco real de enforcamento), não deixar cavalos soltos em campo aberto e nunca oferecer medicamentos humanos sem orientação profissional.
A discussão sobre a substituição dos fogos tradicionais por fogos silenciosos tem crescido no Brasil e em diversos países, e representa um avanço importante. Além de cães, gatos e equinos, o barulho também afeta animais silvestres, aves, idosos, bebês e pessoas com autismo ou hipersensibilidade auditiva.
Proteger os animais é um ato de responsabilidade, consciência e empatia. Cabe à sociedade — e especialmente aos tutores — adotar estratégias que minimizem o sofrimento durante épocas festivas e promovam celebrações mais humanas e menos traumáticas para nossos companheiros.
Sobre o Dr. Leonardo Garbois

Com 13 anos de experiência, Dr. Leonardo conta que desde muito novo era influenciado pelo pai para ser médico veterinário.
E foi na medicina veterinária que se encontrou e entende que a profissão lhe dá possibilidades constantes de evolução e novos aprendizados. Por dizer as diversas especializações que já tem, como: Quiropraxia, homeopatia, laserterapia, acupuntura, odontologia equina, reprodução equina, inseminação artificial e Reiki.
Dr. Leonardo Garbois é clínico e médico cirurgião, de grandes e pequenos animais. Ele sempre teve desafios constantes, mas pra ele o maior é conscientizar os tutores sobre a importância dos cuidados preventivos com os animais.
Atualmente, além de realizar atendimentos em haras e sítios particulares, Dr. Leonardo atende na Pet by Vet Clínica Veterinária, na Associação de Comerciantes de carne, na LG7 Medicina Veterinária, e ministra cursos profissionalizantes na área Veterinária no Agro Cursos (todos em Além Paraíba). Sem falar que é amante de provas Equestres.
Sua premissa é sempre fazer um trabalho de excelência para vida e saúde dos animais, com técnica e ética, e entende que buscar o equilíbrio entre homem e vida animal é o papel do médico veterinário e da medicina veterinária. Dr. Leonardo acredita que a medicina veterinária integrativa é o futuro.

Gilberto Vieira de Sousa é Jornalista (MTB 0079103/SP), Técnico em Sistemas de TV Digital, Fotografo Amador, Radioamador, idealizador e administrador dos sites GibaNet.com e cotajuridica.com.br, Redator no Programa Lira em Pauta, Editor da Revista Konect Brazil e do site Assessoria Animal
