Animais no Espaço

Animais no espaço

Há muito tempo que a humanidade decidiu que antes de fazer qualquer teste em seres humanos, deveriam fazer os testes em animais, já que para alguns, os animais nem alma tem.

 

Hoje temos algumas centenas de leis que protegem os animais e que evitam em grande parte o sofrimento destes seres, mas nem sempre foi assim.

Durante a Guerra Fria travada pela URSS e EUA, onde havia uma batalha pelo poder mundial, entre outros fatores houve a competição entre estas duas potencias pela conquista do espaço, onde foram realizados vários lançamentos de foguetes que acabaram por colocar seres humanos em orbita e em 1969 um pouso bem sucedido na lua, onde alguns astronautas pisaram por lá.

Mas para que esta façanha tivesse êxito foram sacrificados alguns animais, tudo pelo bem da ciência.

A era espacial havia sido “inaugurada” em outubro de 1957, com o lançamento do Sputinik 1, não tripulado.

O primeiro destes animais foi a cadelinha Laika, uma vira-latas resgatada das ruas de Moscou, por causa de seu porte pequeno e por ter pelos brilhantes, que apareciam bem nos filmes feitos pela agencia espacial soviética.

 

 

Laika tinha aproximadamente dois anos de idade e pesava seis quilos. Ela foi lançada ao espaço a bordo do Sputinik 2 na madrugada de 3 de novembro de 1957. Durante a “missão” os sinais vitais de Laika eram colhidos por vários sensores presos ao seu corpo e todos os dados eram enviados por rádio para a estação base soviética, onde os cientistas responsáveis pelo projeto analisavam tudo. Além dos cientistas soviéticos, vários radioamadores ao redor do planeta também captaram os mesmos sinais.

A cadelinha sobreviveu por apenas cinco horas, pois a capsula não estava suficientemente isolado dos raios do sol e ela literalmente cozinhou até a morte, sentindo dores intensas. Ou seja, Laika morreu no espaço; sentindo-se abandonada, em agonia por conta das dores e do calor intenso e aterrorizada por não ter como escapar daquela capsula de confinamento e também pelo alto estresse a que foi submetida. Este fato foi ocultado pelas autoridades soviéticas por mais de 40 anos.

Animais no espaço
Monumento dedicado a Laika na Russia, nos dias atuais ainda há pessoas que depositam flores em sua homenagem.

 

Laika ficou sem vida a bordo da Sputinik 2 por 163 dias e deu 2.570 voltas em torno do planeta Terra. A cápsula explodiu ao reentrar na atmosfera em 14 de abril de 1958.

A ideia das autoridades soviéticas era a de dar comida envenenada a Laika, se ela sobrevivesse por dez dias no espaço, já que pela pressa de serem os primeiros a enviarem um animal vivo ao espaço impediu a equipe de engenharia de conseguir uma solução para reentrada segura na atmosfera, problema este que só foi solucionado em 1960. A conclusão é que Laika foi enviada para uma missão sem volta, sem a pretensão de trazê-la de volta com vida. Ela foi sacrificada.

Animais no espaço
Selo romeno de 1969 homenageia Laika

 

Laika foi o único cão a ser enviado ao espaço sem a esperança de resgate.

 

Animais no espaço
Monumento homenagem Laika

 

Outros animais no espaço:

Em um teste de vôo da nave soviética Vostok, ocorrido em julho de 1960, o foguete explodiu durante o lançamento, matando seus dois ocupantes, as cadelinhas Bars e Lisichka.

Belka e Strelka, lançados em agosto de 1960 a bordo do Sputinik 5 foram os primeiros cães a serem resgatados com sucesso de uma missão espacial. Além deles haviam quarenta camundongos; dois ratos e algumas plantas. Um filhote de Strelka, que recebeu o nome de Pushinka foi dado de presente a Caroline Kennedy por Nikita Khruschev, em 1961.

 

Animais no espaço
Sputnik 2 Replica

 

 

Pchelka e Mushka, a bordo do Sputinik 6, foram lançadas em dezembro de 1960. Elas ficaram um dia em órbita e no retorno houve um erro na reentrada, ocasionando na explosão da capsula, matando as duas.

Damka e Krasavka, a bordo do Sputinik 7, também foram lançadas em dezembro de 1960, porém, devido a um problema em um dos estágios do foguete, a missão foi abortada poucos minutos após o lançamento, sendo posteriormente resgatadas em segurança.

Em março de 1961 foi a vez da cadela Chernushka ser lançada a bordo do Sputinik 9, junto com alguns ratos e um porco da Guiné. Duas semanas depois, em outra missão, foi a vez de Zvezdochka ser lançada a bordo do Sputinik 10. Todos os animais das missões com o Sputinik 9 e Sputinik 10 foram resgatados em segurança.

 

Animais no espaço
Monumento aos heróis da conquista aeroespacial soviética,

 

Na missão seguinte os animais foram substituídos por humanos. Yuri Gagarin subiu a bordo de uma cápsula Vostok em 12 de abril de 1961.

 

Mas não pense que testes com animais no espaço foram encerrados, eles continuaram sendo realizados, não apenas por EUA e URSS, mas também pela França, que lançou na década de 60 sete missões com animais, entre eles figuraram ratos, gatos e macacos.

 

Animais no espaço
Monumento aos heróis da conquista aeroespacial soviética

 

A discussão sobre os direitos dos animais e sua utilização em pesquisas científicas continua avançando enquanto laboratórios e agencias governamentais continuam realizando seus testes.

Nos EUA, grupos de defesa dos direitos dos animais realizaram várias ações contra instalações de pesquisa, enquanto que no Brasil, apesar das leis que existem desde 1979, há ainda um grande caminho a ser trilhado em busca do não sofrimento animal em pesquisas científicas.

A pergunta que se deve fazer é:

– Até onde as pesquisas com animais são realmente éticas?

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